Três
dias se passaram desde a malfadada tentativa de explorar a Casa do
Centro. Ária já estava completamente recuperada graças em parte a
sua magia. Era chegada a hora de fazer uma nova tentativa de explorar
aquele lugar, antes que algum outro aventureiro decidisse fazê-lo. O
que não seria algo muito estranho de se esperar, visto que nos
últimos dias vários aventureiros haviam chegado a Pedrassolar.
Novamente,
depois de atravessar vários salões, nossos aventureiros estavam
diante da Casa do Centro. Dessa vez decidiram ir pela entrada que
emitia a luz alaranjada, uma vez que agora eles já sabiam do que a
luz se tratava. Ao chegarem à porta, porém, tiveram uma surpresa.
Um orc gravemente ferido estava recostado à parede.
"Ajudar
Fende Crânios!" - exclamou com dificuldade o orc, em um Comum
com sotaque bastante carregado.
Ao
ver o estado em que o orc se encontrava, Ária teve pena.
Aproximou-se e impôs suas mãos sobre ele, conjurando uma magia de
cura. Em seguida, perguntou:
"O
que aconteceu?"
A
magia de Ária não era forte o suficiente para curar completamente o
orc, mas, pelo menos, ele agora não estava em um estado tão grave e
seria até capaz de se levantar, ou até mesmo lutar. Entretanto ele
continuou recostado e respondeu:
"Fende
Crânios agradecer."
"Mas
o que aconteceu?" - interpelou Ária novamente.
"Patrulha
errar, mortos matar, Fende Crânios só sobreviver." - respondeu
o orc de modo quase ininteligível. E após isso se levantou e
começou a caminhar em direção de onde provavelmente seria o
acampamento dos orcs.
Após
o orc se retirar, Honan perguntou a Ária o porquê dela ter
desperdiçado sua magia com o orc. Mas antes que ela pudesse
responder, Mãos Leves retrucou:
"Pelo
menos agora temos certeza que o lugar é perigoso. Não faça outra
idiotice Ária!"
Gunar
e Tordeck acenderam tochas e entraram no salão onde dias antes eles
haviam encontrado os besouros de fogo e as centopeias. Os outros os
seguiram.
Seguiram
cuidadosamente pelos corredores da casa até chegar a uma pequena
sala que em tempos passados deveria ter sido um posto de guarda. O
cheiro ali não era bom, carne apodrecida. Sobre uma mesa jazia
o corpo de um orc, no lado oposto da sala, próximo a uma porta,
outro e, perto de nossos aventureiros, dois esqueletos de gnomos.
"Não
gosto desse lugar, vamos sair daqui antes que o que fez isso resolva
voltar!" - exclamou Honan.
Mas
antes que eles pudessem deixar a sala os esqueletos dos gnomos e os
cadáveres dos orcs se ergueram e partiram em direção a eles. Gunar
e Tordeck agiram rápido atacando cada um um dos esqueletos, que não
tiveram chances contra seus impiedosos martelos de guerra. Honam
aproveitou a oportunidade para recuar e sair pela porta. Mãos Leves
teria feito o mesmo, mas um dos orcs-zumbis estava muito próximo a
ele. Então ele, apenas, sacou suas espadas e se preparou para se
esquivar do ataque do zumbi, que nunca viria, graças a Ária, que da
ponta de sua lança disparou um raio dourado atingindo o zumbi e o
consumindo em chamas.
O
orc-zumbi restante desferiu um golpe contra Ária, mas não teve
êxito. E nem teria oportunidade de tentar novamente, já que Mãos
Leves, por trás e Gunar pela frente o deixaram em um estado que ele
nunca mais seria capaz de se levantar.
Tordeck
e Mãos Leves resolveram revistar a sala, mas nada encontraram.
Apenas dois velhos controles em uma parede, que eles decidiram não
mexer. Honam sugeriu que voltassem pelo corredor e explorassem o
restante dele, antes de tentar a porta do outro lado do salão. Os
outros concordaram.
Continuaram
pelos corredores e chegaram a um corredor sem saída. Analisando a
construção Tordeck sugeriu que ali deveria existir uma passagem
secreta. Com a ajuda de Mãos Leves o anão conseguiu encontrar um
dispositivo, que revelou uma passagem do lado direito do corredor.
Seguiram
então pela passagem, chegando a um amplo salão que em tempos
passados fora usado como prisão. O meio do salão era dividido, de
alto a baixo, por uma grade com uma pequena porta lacrada por um
cadeado enferrujado. Do lado de nossos aventureiros não havia quase
nada, a exceção de dois barris intactos cheios de água
aparentemente límpida. Do outro lado da grade, entretanto, havia um
buraco na parede.
Depois
de discutirem um pouco sobre o que fazer, Tordeck e Gunar quebraram o
cadeado. Mãos Leves e Gunar seguiram pelo buraco, presos por uma
corda, que seria usada para sinalizar, em caso de problemas.
Dentro
do buraco, Mãos Leves beneficiado por sua visão superior, achou
algumas gemas, e antes que Gunar percebesse as guardou em seu
alforge.
O
buraco era, na verdade, um túnel que levava a uma outra sala, que
estava completamente escura, mas não deserta. Três gnomos-zumbi
atacaram assim que eles entraram na sala, porém eles não foram
surpreendidos pelos zumbis e puderam se defender apropriadamente.
Gunar usou seu escudo para aparar o ataque do primeiro zumbi, já
Mãos Leves foi atingido apenas de raspão por outro zumbi.
Mãos
Leves rolou entre dois zumbis, e usando a corda que estava em sua mão
os derrubou. Gunar acertou o terceiro zumbi com seu escudo e usou a
tocha para afastá-lo. Novamente o zumbi investiu contra Gunar
e foi rechaçado por seu escudo. Os outros dois zumbis se ergueram e
foram em direção a Mãos Leves, mas eles não eram rápidos o
suficiente para alcançá-lo antes que ele tirasse de seu alforge um
pequeno frasco com água benta e os punisse com aquele líquido tão
mortal para eles.
Nesse
momento, Tordeck e Ária chegaram à sala, mas já não havia nada a
combater, uma vez que Gunar também já terminará seu serviço
contra o último zumbi.
A
sala, além de escura e pequena, tinha apenas uma mesa em um de seus
cantos e uma porta no outro. Sobre a mesa, nossos aventureiros
encontraram restos do que um dia fôra um diário. Nessas folhas
podia-se ler:
"A
coroa está amaldiçoada."
"Aqueles que foram até lá jamais
voltaram."
"Maldição, zumbis, seres terríveis."
"Templo sinistro."
"Localização não deve ser revelada,
conselheiro do rei."
"Rei, Drow, poder antigo, dominação."
As
palavras trazidas por aqueles pedaços de papel eram inquietantes.
Então eles decidiram guardá-los para que pudessem investigar
melhor depois.
Saindo
pela porta, encontraram um corredor que os levou ao que seria uma
espécie de capela do "castelo". No lugar onde
deveria ser o altar havia uma grande estatua de pedra sem face. E
onde os fiéis deveriam ficar pedaços de madeira, que um dia
serviram como cadeiras. Além disso, e de uma porta em pedaços do
lado oposto da capela nada havia ali.
Nossa
comitiva se aproximou cuidadosamente da estátua, e pode ver que em
sua base havia a seguinte inscrição:
"O
conhecimento do que mais se perde quando o tempo passa será
recompensado com uma chance de possuí-lo por mais tempo."
Sem
conseguir discernir o que aquilo queria dizer seguiram pela outra
porta que acabaria levando ao salão do trono daquele lugar. Ao
entrarem se depararam com uma cena pitoresca.
A
grande sala do trono se encontrava atrás da porta que nossa comitiva
acabara de cruzar. Quatro grandes colunas sustentavam seu teto. Do
lado sul um Wight, sentado em um grande trono, com seus cruéis olhos
vermelhos brilhando como chamas em meio ao seu rosto mumificado. Em
sua cabeça, uma grande coroa de ouro. A sua volta, sua corte,
composta por vários zumbis de gnomos e esqueletos, vestidos a
caráter.
Dois
esqueletos soam cornetas que não produzem nenhum som. E por incrível
que pareça o Wigth os interpelou com sua voz sepulcral:
"E
então? Quem são vocês? Vieram para me prestar homenagens? Ou
desejam que eu seja seu juiz em alguma causa de vassalagem?"
Assustados,
e em visível desvantagem numérica, nossos aventureiros tentaram
recuar, porém nesse momento a porta se fechou bruscamente, impedindo
que eles saíssem. Novamente o Wigth os interpelou:
"Digam
logo o que desejam, não tenho o dia todo!"
"Quem
é você?" - Ária perguntou infantilmente.
"Sou
o soberano desse lugar, e todos aqueles que não reconhecem isso
devem ser punidos."
"Cinco
zumbis e sete esqueletos, além é claro do Wight! Vai ser bastante
difícil. " - pensou Mãos leves. O que estava para acontecer
era bastante claro. Então o melhor era tomar logo a iniciativa,
concluiu.
Mãos
Leves se dirigiu ao centro do salão, acompanhado por Gunar e
Tordeck. E antes que os zumbis pudessem investir contra eles, Gunar
esmagou o primeiro esqueleto que encontrou pela frente, Tordeck fez o
mesmo mas não teve êxito no ataque, diferentemente de Mãos Leves,
que com um golpe rápido decapitou um zumbi próximo a uma das
colunas do salão.
Os
mortos vivos restantes investiram contra eles, porém o Wigth
permaneceu sentado em seu trono. Honam disparou contra um zumbi que
vinha em sua direção, mas não conseguiu matá-lo. Ária recorreu
ao poder de sua fé e com palavras firmes fez com que um esqueleto e
dois zumbis recuassem em pânico, se é que tais criaturas pudessem
ter tais sentimentos.
Gunar
e Tordeck frearam a primeira investida dos mortos vivos, apararam
alguns golpes e recebendo outros, mas nada que os impedisse de
continuar lutando. Mãos Leves usou a coluna para evitar o ataque de
um zumbi, mas foi golpeado de raspão por um esqueleto. Ária foi
fortemente golpeada por um zumbi, mas se firmou em sua lança e
revidou com fúria, perfurando-lhe o peito. Já Honam teve mais
sorte, uma vez que nenhum zumbi ou esqueleto o atacou.
Honam
começou a cantar sua canção de combate, o que pareceu aumentar
consideravelmente o poder de seus companheiros. Gunar esmagou mais um
esqueleto, já Tordeck eliminou o zumbi que havia se esquivado de seu
primeiro golpe. Mãos Leves empalou um zumbi e com sua outra espada
ainda golpeou um esqueleto, mas não conseguiu eliminá-lo.
Nesse
momento o Wigth se levantou e partiu em direção a eles. Gunar se
adiantou para enfrentá-lo, defendeu-se bem do primeiro ataque mas
foi severamente ferido pelo segundo. Ária saiu em seu socorro,
enquanto Tordeck tomou o lugar de Gunar e golpeou fortemente o Wigth.
Mãos Leves e Honam continuaram enfrentando os zumbis e esqueletos
que restavam.
Ária
usou sua última magia de cura sobre Gunar, enquanto isso o Wight
desferiu um golpe contra Tordeck que o fez cambalear. Mãos Leves
cobriu Honam se interpondo entre ele e os dois mortos vivos
restantes, permitindo que Honam ajudasse seus companheiros.
O
Wight continuou seu ataque implacável ferindo Ária, que revidou sem
muito sucesso. Gunar, nesse momento, viu uma abertura e acertou uma
martelada certeira no peito do Wight que recuou.
Quando
o Wight tentou novamente avançar contra seus oponentes, uma seta
certeira trespassou sua cabeça o derrubando por terra. Honam abriu
um sorriso de vitória.
Após
recuperarem o fôlego, nossos aventureiros revistaram o lugar, com um
dos zumbis que representavam um dos conselheiros do rei Honam
encontrou um medalhão com a inscrição de benção. Ária tirou a
coroa da cabeça do Wight. Gunar achou, com outro dos "conselheiros
do rei" um pingente de forma esférica com um pequeno orifício
em sua parte superior. Mãos Leves achou um diamante próximo ao
trono. Já Tordeck estava mais preocupado em reunir os corpos dos
mortos vivos para queimá-los.
Satisfeitos
com a pilhagem, nosso heróis voltaram para a taverna para
comemorar...


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