sábado, 19 de abril de 2014

A Casa do Centro: 2° parte

Três dias se passaram desde a malfadada tentativa de explorar a Casa do Centro. Ária já estava completamente recuperada graças em parte a sua magia. Era chegada a hora de fazer uma nova tentativa de explorar aquele lugar, antes que algum outro aventureiro decidisse fazê-lo. O que não seria algo muito estranho de se esperar, visto que nos últimos dias vários aventureiros haviam chegado a Pedrassolar.

Novamente, depois de atravessar vários salões, nossos aventureiros estavam diante da Casa do Centro. Dessa vez decidiram ir pela entrada que emitia a luz alaranjada, uma vez que agora eles já sabiam do que a luz se tratava. Ao chegarem à porta, porém, tiveram uma surpresa. Um orc gravemente ferido estava recostado à parede.

"Ajudar Fende Crânios!" - exclamou com dificuldade o orc, em um Comum com sotaque bastante carregado.

Ao ver o estado em que o orc se encontrava, Ária teve pena. Aproximou-se e impôs suas mãos sobre ele, conjurando uma magia de cura. Em seguida, perguntou:

"O que aconteceu?"

A magia de Ária não era forte o suficiente para curar completamente o orc, mas, pelo menos, ele agora não estava em um estado tão grave e seria até capaz de se levantar, ou até mesmo lutar. Entretanto ele continuou recostado e respondeu:

"Fende Crânios agradecer."

"Mas o que aconteceu?" - interpelou Ária novamente.

"Patrulha errar, mortos matar, Fende Crânios só sobreviver." - respondeu o orc de modo quase ininteligível. E após isso se levantou e começou a caminhar em direção de onde provavelmente seria o acampamento dos orcs.

Após o orc se retirar, Honan perguntou a Ária o porquê dela ter desperdiçado sua magia com o orc. Mas antes que ela pudesse responder, Mãos Leves retrucou:

"Pelo menos agora temos certeza que o lugar é perigoso. Não faça outra idiotice Ária!"

Gunar e Tordeck acenderam tochas e entraram no salão onde dias antes eles haviam encontrado os besouros de fogo e as centopeias. Os outros os seguiram.

Seguiram cuidadosamente pelos corredores da casa até chegar a uma pequena sala que em tempos passados deveria ter sido um posto de guarda. O cheiro ali não era bom,  carne apodrecida. Sobre uma mesa jazia o corpo de um orc, no lado oposto da sala, próximo a uma porta, outro e, perto de nossos aventureiros, dois esqueletos de gnomos.

"Não gosto desse lugar, vamos sair daqui antes que o que fez isso resolva voltar!" - exclamou Honan.

Mas antes que eles pudessem deixar a sala os esqueletos dos gnomos e os cadáveres dos orcs se ergueram e partiram em direção a eles. Gunar e Tordeck agiram rápido atacando cada um um dos esqueletos, que não tiveram chances contra seus impiedosos martelos de guerra. Honam aproveitou a oportunidade para recuar e sair pela porta. Mãos Leves teria feito o mesmo, mas um dos orcs-zumbis estava muito próximo a ele. Então ele, apenas, sacou suas espadas e se preparou para se esquivar do ataque do zumbi, que nunca viria, graças a Ária, que da ponta de sua lança disparou um raio dourado atingindo o zumbi e o consumindo em chamas.

O orc-zumbi restante desferiu um golpe contra Ária, mas não teve êxito. E nem teria oportunidade de tentar novamente, já que Mãos Leves, por trás e Gunar pela frente o deixaram em um estado que ele nunca mais seria capaz de se levantar.

Tordeck e Mãos Leves resolveram revistar a sala, mas nada encontraram. Apenas dois velhos controles em uma parede, que eles decidiram não mexer. Honam sugeriu que voltassem pelo corredor e explorassem o restante dele, antes de tentar a porta do outro lado do salão. Os outros concordaram.

Continuaram pelos corredores e chegaram a um corredor sem saída. Analisando a construção Tordeck sugeriu que ali deveria existir uma passagem secreta. Com a ajuda de Mãos Leves o anão conseguiu encontrar um dispositivo, que revelou uma passagem do lado direito do corredor.

Seguiram então pela passagem, chegando a um amplo salão que em tempos passados fora usado como prisão. O meio do salão era dividido, de alto a baixo, por uma grade com uma pequena porta lacrada por um cadeado enferrujado. Do lado de nossos aventureiros não havia quase nada, a exceção de dois barris intactos cheios de água aparentemente límpida. Do outro lado da grade, entretanto, havia um buraco na parede.

Depois de discutirem um pouco sobre o que fazer, Tordeck e Gunar quebraram o cadeado. Mãos Leves e Gunar seguiram pelo buraco, presos por uma corda, que seria usada para sinalizar, em caso de problemas.

Dentro do buraco, Mãos Leves beneficiado por sua visão superior, achou algumas gemas, e antes que Gunar percebesse as guardou em seu alforge.

O buraco era, na verdade, um túnel que levava a uma outra sala, que estava completamente escura, mas não deserta. Três gnomos-zumbi atacaram assim que eles entraram na sala, porém eles não foram surpreendidos pelos zumbis e puderam se defender apropriadamente. Gunar usou seu escudo para aparar o ataque do primeiro zumbi, já Mãos Leves foi atingido apenas de raspão por outro zumbi.

Mãos Leves rolou entre dois zumbis, e usando a corda que estava em sua mão os derrubou. Gunar acertou o terceiro zumbi com seu escudo e usou a tocha para afastá-lo.  Novamente o zumbi investiu contra Gunar e foi rechaçado por seu escudo. Os outros dois zumbis se ergueram e foram em direção a Mãos Leves, mas eles não eram rápidos o suficiente para alcançá-lo antes que ele tirasse de seu alforge um pequeno frasco com água benta e os punisse com aquele líquido tão mortal para eles.

Nesse momento, Tordeck e Ária chegaram à sala, mas já não havia nada a combater, uma vez que Gunar também já terminará seu serviço contra o último zumbi.

A sala, além de escura e pequena, tinha apenas uma mesa em um de seus cantos e uma porta no outro. Sobre a mesa, nossos aventureiros encontraram restos do que um dia fôra um diário. Nessas folhas podia-se ler:


"A coroa está amaldiçoada."

"Aqueles que foram até lá jamais voltaram."

"Maldição, zumbis, seres terríveis."

"Templo sinistro."

"Localização não deve ser revelada, conselheiro do rei."

"Rei, Drow, poder antigo, dominação."


As palavras trazidas por aqueles pedaços de papel eram inquietantes. Então eles  decidiram guardá-los para que pudessem investigar melhor depois.

Saindo pela porta, encontraram um corredor que os levou ao que seria uma espécie de capela do "castelo".  No lugar onde deveria ser o altar havia uma grande estatua de pedra sem face. E onde os fiéis deveriam ficar pedaços de madeira, que um dia serviram como cadeiras. Além disso, e de uma porta em pedaços do lado oposto da capela nada havia ali.

Nossa comitiva se aproximou cuidadosamente da estátua, e pode ver que em sua base havia a seguinte inscrição:

"O conhecimento do que mais se perde quando o tempo passa será recompensado com uma chance de possuí-lo por mais tempo."

Sem conseguir discernir o que aquilo queria dizer seguiram pela outra porta que acabaria levando ao salão do trono daquele lugar. Ao entrarem se depararam com uma cena pitoresca.

A grande sala do trono se encontrava atrás da porta que nossa comitiva acabara de cruzar. Quatro grandes colunas sustentavam seu teto. Do lado sul um Wight, sentado em um grande trono, com seus cruéis olhos vermelhos brilhando como chamas em meio ao seu rosto mumificado. Em sua cabeça, uma grande coroa de ouro. A sua volta, sua corte, composta por vários zumbis de gnomos e esqueletos, vestidos a caráter.

Dois esqueletos soam cornetas que não produzem nenhum som. E por incrível que pareça o Wigth os interpelou com sua voz sepulcral:

"E então? Quem são vocês? Vieram para me prestar homenagens? Ou desejam que eu seja seu juiz em alguma causa de vassalagem?"






Assustados, e em visível desvantagem numérica, nossos aventureiros tentaram recuar, porém nesse momento a porta se fechou bruscamente, impedindo que eles saíssem. Novamente o Wigth os interpelou:

"Digam logo o que desejam, não tenho o dia todo!"

"Quem é você?" - Ária perguntou infantilmente.

"Sou o soberano desse lugar, e todos aqueles que não reconhecem isso devem ser punidos."

"Cinco zumbis e sete esqueletos, além é claro do Wight! Vai ser bastante difícil. " - pensou Mãos leves. O que estava para acontecer era bastante claro. Então o melhor era tomar logo a iniciativa, concluiu.

Mãos Leves se dirigiu ao centro do salão, acompanhado por Gunar e Tordeck. E antes que os zumbis pudessem investir contra eles, Gunar esmagou o primeiro esqueleto que encontrou pela frente, Tordeck fez o mesmo mas não teve êxito no ataque, diferentemente de Mãos Leves, que com um golpe rápido decapitou um zumbi próximo a uma das colunas do salão.

Os mortos vivos restantes investiram contra eles, porém o Wigth permaneceu sentado em seu trono. Honam disparou contra um zumbi que vinha em sua direção, mas não conseguiu matá-lo. Ária recorreu ao poder de sua fé e com palavras firmes fez com que um esqueleto e dois zumbis recuassem em pânico, se é que tais criaturas pudessem ter tais sentimentos.

Gunar e Tordeck frearam a primeira investida dos mortos vivos, apararam alguns golpes e recebendo outros, mas nada que os impedisse de continuar lutando. Mãos Leves usou a coluna para evitar o ataque de um zumbi, mas foi golpeado de raspão por um esqueleto. Ária foi fortemente golpeada por um zumbi, mas se firmou em sua lança e revidou com fúria, perfurando-lhe o peito. Já Honam teve mais sorte, uma vez que nenhum zumbi ou esqueleto o atacou.

Honam começou a cantar sua canção de combate, o que pareceu aumentar consideravelmente o poder de seus companheiros. Gunar esmagou mais um esqueleto, já Tordeck eliminou o zumbi que havia se esquivado de seu primeiro golpe. Mãos Leves empalou um zumbi e com sua outra espada ainda golpeou um esqueleto, mas não conseguiu eliminá-lo.

Nesse momento o Wigth se levantou e partiu em direção a eles. Gunar se adiantou para enfrentá-lo, defendeu-se bem do primeiro ataque mas foi severamente ferido pelo segundo.  Ária saiu em seu socorro, enquanto Tordeck tomou o lugar de Gunar e golpeou fortemente o Wigth. Mãos Leves e Honam continuaram enfrentando os zumbis e esqueletos que restavam.

Ária usou sua última magia de cura sobre Gunar, enquanto isso o Wight desferiu um golpe contra Tordeck que o fez cambalear. Mãos Leves cobriu Honam se interpondo entre ele e os dois mortos vivos restantes, permitindo que Honam ajudasse seus companheiros.

O Wight continuou seu ataque implacável ferindo Ária, que revidou sem muito sucesso. Gunar, nesse momento, viu uma abertura e acertou uma martelada certeira no peito do Wight que recuou.

Quando o Wight tentou novamente avançar contra seus oponentes, uma seta certeira trespassou sua cabeça o derrubando por terra. Honam abriu um sorriso de vitória.

Após recuperarem o fôlego, nossos aventureiros revistaram o lugar, com um dos zumbis que representavam um dos conselheiros do rei Honam encontrou um medalhão com a inscrição de benção. Ária tirou a coroa da cabeça do Wight. Gunar achou, com outro dos "conselheiros do rei" um pingente de forma esférica com um pequeno orifício em sua parte superior. Mãos Leves achou um diamante próximo ao trono. Já Tordeck estava mais preocupado em reunir os corpos dos mortos vivos para queimá-los.

Satisfeitos com a pilhagem, nosso heróis voltaram para a taverna para comemorar...




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