"... A centelha infernal novamente mostrava cenas de um passado possível. Ou seriam essas cenas de um futuro que se aproximava. Só uma coisa era certa: problemas se aproximavam, uma vez que o poder da sabedoria sempre vinha junto com o camado do caos ..."
Os dias continuavam a passar e a situação a piorar. Mais gnomos começavam a sofrer com a estranha doença. Mais batalhas travadas entre gnomos e orcs. Mais mortes, menos comida, menos tempo! Mesmo os gnomos, que eram por assim dizer, os donos da cidade, aparantemente já não desejavam permanecer naquele lugar.
Vários aventureiros haviam se organizado para defender os gnomos e tentar achar uma solução para o problema, de estarem presos naquela cidade perdida. Com o passar dos acontecimentos, como seria de se esperar, um deles tomou a liderança da situação. Seu nome, Kardinal. Você, como um bom conhecedor de história, deve saber que normalmente são os peões que executam os atos memoráveis, mas a glória sempre é dada aos reis. E nossa aventura não foge a essa regra. Kardinal não havia feito nada heróico ou sequer ajudado muito na situação. Mas seu modo de falar e convencer, bem como a ajuda de seu braço direito Naparaug contribuíram muito para que ele tivesse certo controle da situação naquele momento.
Mas por que é que estou falando em Kardinal agora? Bem, era justamente diante dele que nossos heróis se encontravam. Não só nossos heróis, mas também Mãos Leves e o grupo de Kiritus. A conversa era tensa, Kardinal queria mais colaboração por parte de Ária, Gunnar e Honam em assuntos que ele considerava importantes. Mas, como vocês devem saber, nosso grupo de aventureiros só queria saber de explorar as ruínas, pois eles acreditavam que deveria existir outra saída. E esse não era um plano que Kardinal aprovava para eles. Ele os queria como soldados, para combater os orcs.
Mas o que o grupo de Kiritus estava fazendo ali? Simples, eles foram chamados para ajudar a convencer os outros a ajudar. Observe que Kiritus queria a ajuda de nossos aventureiros, mas como companheiros. Ele acreditava que unidos seriam capazes de proteger os gnomos e achar uma saída. Diga-se de passagem, o grupo de Kiritus era um dos que mais contribuía para que a situação não estivesse pior ainda. Mas justamente por ajudar tanto e estar na linha de frente Kiritus não tinha tempo de liderar ou coordenar as ações. E era dessa situação que Kardinal se aproveitava naquele momento.
Como uma pessoa astuta que você é, deve estar se perguntando sobre a estranheza dessa liderança, bem como do bilhete encontrado com Miglim, o traidor. Então é minha função lembra-lo, nossos aventureiros não são heróis, embora eu os chame assim. Eles são falhos e humanos. Nem Honam, nem seus amigos se atentaram para o fato do bilhete ser assinado por K. Mãos Leves com certeza se atentaria para esse fato, mas ele não sabia do bilhete. Kiritus tinha suspeitas a respeito de Kardinal, mas não tempo para vigia-lo, quando tantas vidas dependiam de suas espadas.
Ao final da conversa, nossa comitiva acabou sendo convencida a participar de uma pequena incursão ao território controlado pelos orcs. Kardinal queria números e localizações! Essa seria a missão deles. Explorar e obter informações, para um ataque final contra os orcs que Kardinal começava a planejar.
Kiritus não queria ir, mas ele sabia que se não fosse os outros não aceitariam a missão. Ele queria na realidade conversar com os orcs e propor uma trégua temporária até que alguns problemas comuns fossem solucionados.
"Por que não começamos nossa missão observando aquele acampamento orc que encontramos outro dia?" - perguntou Mãos Leves após deixarem Kardinal.
Ele tinha uma teoria, que não havia compartilhado com ninguém. Para ele, Burrow não chegou a se confrontar com os orcs. Caso contrário sua cabeça já teria sido posta em uma haste e usada para diminuir o moral dos gnomos. Assim o que estava acontecendo ali só poderia ser explicado por algum tipo de conspiração. Ele suspeitava que algum tipo de ritual poderoso foi, ou estava sendo invocado naquele lugar. E para obter mais informações, desejava observar os orcs.
Kiritus concordou com Mãos Leves e assim nossa comitiva partiu em direção ao acampamento dos orcs. Foi grande a surpresa deles ao ver que o acampamento havia sido levantado. E a julgar pelo lugar, havia sido rápido. Pelo chão vários objetos foram deixados, além de rastros claros em direção norte.
Após garantirem que o lugar estava seguro, nossos aventureiros fizeram uma busca e encontraram um pequeno simbolo esculpido em osso humano que, de acordo com os conhecimentos de Ária, deveria significar algum comando militar, e a julgar pelo lugar, de retirada.
Além do estranho osso, Azuma também encontrou uma passagem que seguia em direção sul. Sendo assim, nossa comitiva tinha três escolhas. Seguir os rastros a norte, voltar e mostrar a Kardinal o símbolo de osso, ou seguir a sul. Honam e Gunnar queriam ir pela passagem, mas Kiritus insistiu e nossa comitiva seguiu a norte.
Não há muito a se contar dessa caminhada a norte. Só uma luta contra um grupo de orcs. Luta que nem foi tão difícil dado a habilidade de combate e números de nossa comitiva. Ao retornarem a cidade Gunnar, Ária e Honam decidiram explorar a passagem ao sul. E sem dizer nada a ninguém é isso que fizeram.
A passagem ao sul dava para um complexo de pequenas cavernas, aparantemente esse era o limite das ruínas de Pedrassolar. Em uma dessas cavernas eles encontraram uma pequena torre de vigia abandonada e decidiram explora-lá.
A torre era muito antiga, feita madeira e pedras e aparantemente não possuía telhado. Para que ela era usada em tempos antigos nenhum deles conseguiu imaginar. Certo é que a torre não estava vazia, como eles logo perceberam. Já no primeiro andar Gunnar quase foi fagocitado por um Cubo Gelatinoso, felizmente Ária o afastou do cubo e eles passaram rapidamente ao segundo andar da torre. Lá se depararam com vários esqueletos que obviamente se levantaram quando eles tentaram seguir para o terceiro andar da torre. Nossos aventureiros não foram pegos de surpresa.
"Não me tornei comida de Cubo, nem vou me tornar de Esqueleto!" - bradou Gunnar, partindo ferozmente contra os Esqueletos.
Eu não queria estar na pele, ou melhor, nos ossos daqueles esqueletos, que sentiram o peso do poderoso martelo de Gunnar.
Mas era o terceiro andar da torre que guardava uma grande surpresa a todos. Ao terminarem de subir as escadas, uma aguda sirene tocou, mas nada aconteceu. A frente deles, amordaçado, atado a uma cadeira e com uma coroa na cabeça, estava Burrow. Mas nenhum deles se atreveu a se aproximar, pois ao lado de Burrow havia duas estátuas de gárgula e para piorar o chão ao redor dele estava pintado com um círculo de estranhos símbolos.
Eles até tentaram se comunicar com Burrow, mas não conseguiram muita coisa. Nenhum deles tinha também disposição para entrar dentro do círculo e soltar Burrow. Sendo assim decidiram retornar a cidade, para buscar alguém que fosse burro o suficiente para fazer isso.
Ao voltarem para cidade resolveram descansar. No dia seguinte se encontraram com Mãos Leve, que era muitas coisas, mas não burro. Assim, eles nada disseram a ele e saíram pela cidade, onde encontraram Naparaug e lhe contaram o que tinham descoberto.
"Não temos tempo a perder! Precisamos resgatá-lo imediatamente. Me levem onde vocês o encontraram." - afirmou Naparaug.
Partiram então para onde Burrow estava. Duas sombras os seguiram, mas nenhum deles as percebeu. Chegaram, então, onde Burrow estava. Novamente a sirene soou.
"Hahaha! Não é uma armadilha, é apenas para assustar!" - Afirmou Naparaug, entrando no círculo. Burrow, estava visivelmente aflito.
Nesse instante, um Gárgula partiu em direção aos nossos aventureiros. Gunnar foi o primeiro a sofrer seus ataques. Mas seu escudo o salvou de um golpe mortal. Ária disparou da ponta de sua lança um raio de luz, mas também não conseguiu acertar seu inimigo. Honam e Naparaug assumiram posições defensivas. Naparaug lançou várias flechas, mas elas passaram mais próximas de nossos heróis que do gárgula. Honam, por sua vez, estava com a precisão em dia, e suas flechas, embora não fossem mágicas pareciam ferir o Gárgula como se ele fosse feito de carne, tudo isso graças ao medalhão de benção achado na Casa do Centro e que ele usava nesse momento.
A batalha foi intensa, mas não demorou muito a acabar. Gunnar desferiu o golpe derradeiro e o Gárgula não mais se moveu. Nesse momento duas flechas voaram pelo ar. Uma acertou em cheio Honam, o ferindo gravemente. A outra foi endereçada a Ária, mas causou um ferimento leve. Percebendo o que estava acontecendo Gunnar investiu ferosmente contra Naparaug, ferindo seu peito com seu martelo. Mas Naparaug era um guerreiro poderoso e esse golpe não seria suficiente para acabar com ele. Novamente um raio de luz partia da ponta da lança de Ária, causando uma queimadura no braço de Naparaug, que por sua vez revidou com duas flechas. Pela segunda vez no combate, o escudo de Gunnar salvou sua vida. Já Ária teve seu ombro gravemente ferido e teria caído se não fosse o poder de sua magia de cura. Gunnar começou a pressionar Naparaug evitando que ele continuasse lançando a morte com seu arco. Enquanto isso Ária usou novamente de seu poder para curar Honam, que estava as portas da morte.
Naparaug, que já tinha vários ferimentos e em visível desvantagem numérica decidiu recuar rapidamente. Ele se aproveitou de um descuido de Gunnar para pular por uma janela e usar sua corda para evitar a queda do terceiro andar.
Nossos aventureiros estavam feridos, mas vivos. Eles não desejavam deixar que Naparaug escapasse, mas não o seguiram a pleno folego, já que temiam ser emboscados por flechas traiçoeiras.
Grande foi a surpresa de todos ao encontrarem o corpo de Naparaug estirado ao chão. Em suas costas um profundo corte, porém nenhum sangue. Próximo dali, sentado em uma pedra, Mãos Leves os esperava.
Muitas suspeitas poderiam ser levantadas nesse momento. O fato de o ferimento não sangrar. Mas isso passou despercebido a eles já que havia sangue tanto na roupa de Naparaug quanto no chão. O que Mãos Leves fazia ali? Mas essa estranha coincidência foi ignorada após sua saldação amistosa. A presença de um segundo corpo atrás da pedra onde Mãos Leves estava. Mas, novamente eles não conseguiram ver o corpo em meio a escuridão.
"Olá, meus amigos de grandes atos heróicos!" - disse Mãos Leves. E completou - "Minha intuição foi correta ao seguir vocês em segredo. Então era Naparaug o responsável pelo desaparecimento de Burrow."
Longa conversa se sucedeu. E logo após o resgate de Burrow, que foi conduzido por nossa comitiva de volta a cidade.
Mas uma questão ainda restava. Se Naparaug estava envolvido no sequestro de Burrow, então Kardinal provavelmente também estava. Sendo assim, Honam teve a ideia de levar Burrow a sua presença para testar sua reação.
Teria sido um bom plano, não fosse um infeliz detalhe. Ao encontrarem Kardinal, Ária invocou de modo velado uma zona da verdade, que não deixou de ser percebida por ele. Isso não estava nos planos de Honam, que pretendia usar um de seus melhores dons: a arte de mentir!
O sábio mago de capa azul usou de toda a sua astucia para responder nossos heróis da melhor forma possível, sem que seus planos fossem descobertos. E ao ser perguntado diretamente por Ária se fora ele que prendera Burrows. Ele calmamente caminhou em direção a porta e saiu dizendo:
"Eu não tenho a obrigação de responder a essa afronta."
Nossos heróis nada fizeram, tamanho o golpe que haviam sofrido das verdades mentirosas proferidas por Kardinal.



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